sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

TEMOS UM ANO NOVO!

Ontem reunimos alguns amigos benevolentes, aos quais agradecemos imensamente, para fazermos a primeira degustação da Ziriguimund, nossa Vienna Lager. No atual estágio de nossa imersão na cultura de homebrewing, o desafio que mais se destaca é conseguir controlar o processo. Nas primeiras produções ficamos imensamente satisfeitos em saber que a cerveja tinha ficado bebível, com álcool e sem contaminação, mesmo que parte fosse obra de certo acaso, resultado imperfeito de um processo não controlado. Mas assim são os hobbies: começam como brincadeiras e para que continuemos interessados é necessário se envolver sempre mais, criar desafios para nós mesmos.


Com o intuito de melhorar nossa influência no resultado final, passamos a cobrar feedback de nossos mais assíduos bebedores (ainda que sejam parciais tendo em vista que todos são amigos). Mas a verdade é que os clichês "Ficou muito boa!" ou "Gostei muito!", apesar de servirem de conforto, trazem pouca informação valiosa para o efetivo controle do processo. Através de um breve roteiro, são analisados: aparência, aroma, sabor e paladar. A partir de uma lista, aromas familiares podem ser identificados e relacionados a algum off flavor, fruto de erro no processo, e algumas virtudes podem ser encontradas.



Em relação à Ziriguimund, começo destacando nossa dificuldade em trabalhar e compreender o fermento lager (estamos estreando produção de baixa fermentação). Não sei se o problema é o seu timing ou sua saúde. Fato é que, após 12 dias do envase (engarrafamos no dia 18/12), a carbonatação parece que ainda está incompleta. Prova disso está no fato de ter havido consenso de que a aparência do líquido estava calma e com creme pequeno. Outros indicativos da preguiça do fermento (ou da nossa incompreensão para com ele) foram a carbonatação, avaliada como leve, e o sabor doce com avaliação "moderado" (quando deveria ser leve ou imperceptível). Pelo visto ainda temos açúcar do primming não fermentado.


Outro destaque que faço é o uso de chips de carvalho. Apesar de termos utilizado poucos chips proporcionalmente ao volume, sua influência foi muito pronunciada: contribuiu com cor (que a maioria avaliou como marrom) e em aromas que foram identificados - porto e madeira. Com isso, o aroma ficou bem complexo de avaliar, mas, pelas respostas, apenas o levedo (massa, pão) conseguiu dividir atenções com os aromas trazidos pelo carvalho – também não esperávamos que o fermento aparecesse. Os aromas de lúpulo ficaram muito leves, quase imperceptíveis.


Parâmetro

Vienna Lager (BJCP)

Ziriguimund

Aroma

Malte moderado, não frutado, sem diacetil. Pouco aroma de lúpulo. Aroma caramelado é inapropriado.

O uso do carvalho na maturação ofuscou o malte, que está presente, mas fraco. Não frutado e sem identificação de diacetil. Pouco aroma de lúpulo. Levedo aparente no aroma.

Aparência

Vermelho a cobre. Clara. Creme grande, branco e duradouro.

Com o uso do carvalho ficou entre cobre e marrom (amadeirado). O creme está pequeno, mas relativamente duradouro. Mais nublada do que esperado, talvez por estar o levedo em suspensão.

Sabor

Maltado e complexo, deve balancear com amargor para o final. Final seco e retrogosto maltado e amargo ao mesmo tempo.

Está complexo até demais. Há um amargor que não parece vir do lúpulo. Com o primming incompleto, o doce ainda está pronunciado. Final Ok, amargo e seco.

Paladar

Corpo médio-leve a médio, levemente cremosa. Carbonatação média. Agradável mas com final moderadamente seco. O álcool pode trazer um pouco de warming.

O corpo está de acordo (médio), mas apenas 20% avaliou como cremosa, tendo prevalecido a percepção de aguada. Cerca de 20% percebeu álcool e warming.

Impressão geral

Caracterizada por leve e elegante maltado que deve trazer um final seco para evitar sabores adocicados.

Com a prevalência do carvalho no aroma, a cerveja tende para o maltado (mas ficou demais). Esperamos que o adocicado, que parece ser do primming, desapareça com um pouco mais de tempo.


Que esse seja o primeiro de muitos encontros para degustação das nossas e das de outrem! Que 2010 traga melhoras à nossa Vienna Lager e aos nossos processos! Que produzamos bastante e bem! Cheers! Prost! TIM TIM!





domingo, 19 de dezembro de 2010

Fase 4: engarrafando a Ziriguimund

             Caros amigos, engarrafamos neste último sábado a nossa Amber Lager. Fizemos o processo de Priming para alimentarmos o fermento pela última vez - já na garrafa -, obtendo a carbonatação necessária gerando gás e aquele colarinho denso e cremoso de uma boa cerveja. Fizemos ainda uma prova da cerva – mesmo ela ainda sem gás – para termos idéia do sabor, cor e sentir de fato a gradação alcoólica gerada no processo.

                Na minha opinião, o sabor de Carvalho (adicionado ainda na fase de Maturação) se mostrou proeminente no sabor da Ziri, junto com o lúpulo aparecendo em seguida. Além disso, me chamou atenção a bela cor dela (foto abaixo), num tom de cobre, dentro do estilo Amber Lager.

                Já o Santo Eduardo notou o sabor de fermento ainda atuante na cerveja e ressaltou a leveza do corpo, o que também foi almejado por nós por tentarmos fazer no estilo oktoberfest, que é um tipo mais leve (menos corpo) para épocas festivas e consumo em maiores quantidades.

                No mais, esta última fase ocorreu bem e sem maiores destaques. Conseguimos engarrafar cerca de 35 garrafas com a nossa mais nova criação, após longos 27 dias desde o início do processo de moagem até engarrafarmos o precioso líquido.

                Temos que esperar ainda de 7 a 10 dias para abrirmos as garrafas, já que queremos o nível ideal de gás na cerveja. Numa fase dessas de festas, fica complicado resistir a mais essa espera, mas não podemos nos descuidar e precisamos experimentar nossa cerveja no seu auge.

                Algumas fotos dessa última fase seguem abaixo. 


Mudando de balde fermentador para o Priming



"Enchapando" uma garrafa com o "Graal"



Olhem a cor da criança...


Nossa "produção em série"

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Fase 3: translado da fermentação para maturação

            No dia primeiro de dezembro fizemos a mudança do balde fermentador para a fase de Maturação. A cerveja passou por 9 dias de fermentação com temperatura escalonada no período (como já contou anteriormente aqui o Santo Eduardo). Agora chegamos à fase da Maturação, onde a cerveja repousa por mais 20 dias a 2° C para tornar a nossa jóia totalmente límpida. O cheiro e a cor dela estão ótimos.

            Fermentamos um volume em torno de 21 litros e agora vamos para a fase de Maturação com pouco mais de 18 litros, já que temos a perda provisionada do fundo do balde onde se concentram os resíduos do lúpulo e do fermento do tipo Lager que trabalha exclusivamente na parte mais baixa do recipiente.
 
            Provavelmente já teremos a cerva engarrafada antes do Natal, uma data ideal para a primeira degustação. Mas não podemos esquecer que a cerveja ainda fermenta na garrafa após o processo de Priming, feito antes do engarrafamento para carbonatar e dar pressão dentro das garrafas.

       Seguem abaixo algumas fotos da mudança de baldes, depois da fase de Fermentação para a fase de Maturação na qual nossa Ziriguimund se encontra agora.


Começo da mudança para o balde maturador.


Pena que vocês não sentiram o cheiro dela...


Parte final da transferência: fomos com pouco mais de 18 litros para a Maturação.