terça-feira, 31 de maio de 2011

Concurso cervejeiro em Floripa

                 Após o grande sucesso que a nossa última criação – Marilyn Blond Ale – fez diante de grandes degustadores de cerveja, sendo esses amigos ou não, conhecedores ou leigos e tendo eles ganhado uma amostra da nossa preciosidade ou àqueles que a compraram (sim, tivemos algumas unidades vendidas com preço de mercado), entramos num período de “hibernação”. Ponho hibernação entre aspas porque na verdade foi um período de concentração e decisão para participarmos do 6º Concurso Nacional de Cervejas Artesanais que será em Santa Catarina. Após analisarmos o regulamento do concurso, vimos que seria possível nossa participação e montamos um cronograma para a compra dos maltes e para o nosso aperfeiçoamento contínuo do processo de “artesanato” cervejeiro.

                Nos três estilos determinados para a competição, escolhemos a Rauchbier por ser um tipo mais exótico e por ter pouca variedade mesmo no mercado das cervejas Super Premium no Brasil. O estilo Rauchbier é descrito no padrão internacional BJCP como uma cerveja leve, de baixa fermentação (lager), com carbonatação média à alta. A coloração lembra os tons de âmbar, acobreado e o corpo dela é límpido, sendo possível atravessar a visão através do copo onde ela esteja. Além disso, o aroma é bem fechado em torno dos maltes e com uma quantidade leve de lúpulo. O grande destaque do estilo é a utilização de maltes bem defumados, deixando sabores como de tabaco e principalmente de bacon na boca.  É um estilo que normalmente gera cervejas de baixa drinkability devido aos sabores defumados mais exóticos.

                Tendo essas características em mente, realizamos pequenos ajustes para dar nossa personalidade à cerveja, mas como sempre respeitando e buscando atender aos padrões exigidos até porque queremos ser lembrados por uma boa cerveja que respeite o estilo no nosso primeiro campeonato. A nossa provavelmente ficará mais leve que as demais do estilo, o que aumentará a drinkability dela e esperamos que agrade à todos que estiverem lá em Floripa para degustar.

            Realizamos a brassagem da Rabicó Rauch, nome de batismo dela, no dia 30 de abril. Nosso processo já contou com a moagem dos maltes com ajuda da furadeira, o que diminuiu drasticamente o tempo gasto nessa fase do processo. Fizemos uma quantidade menor dessa vez para podermos ter um controle maior da mostura, afinal não queremos fazer feio neste concurso! Após essa etapa da brassagem, a fermentação e maturação seguiram seus cursos normais, levando um total de 29 dias até o engarrafamento. E hoje, despachamos por correio as nossas garrafas rumo ao concurso. Vamos rezar para que elas cheguem por lá, antes de nós, sãs e salvas!

             No mais, contamos com a torcida dos amigos que nos incentivam e que também participam bebendo nossas criações para que tenhamos sucesso neste concurso. O que almejamos ao sair de lá é termos certeza que estamos no caminho certo para a criação de novas receitas e algumas reedições já de sucesso. Sem dúvida, traremos novidades na volta para contar aqui e para brindarmos mais uma vez com as pessoas que já comungam da nossa vontade de aproximar o nosso hobby cada vez mais da perfeição!

domingo, 20 de março de 2011

Primeiras impressões da Marilyn


         É com grande satisfação que escrevo esse post por dois motivos: a comemoração do aniversário de minha avó, com seus 83 anos e também por ser a primeira degustação da nossa Marilyn Blonde Ale.  A cerveja mostra logo de cara a sua espuma densa e persistente, como observamos nas fotos a seguir, um fato que sabemos não ser tão fácil de obtermos naturalmente mas que conseguimos, provavelmente pela adição de aveia à fórmula original. Além disso, a coloração atingida pela fórmula ultrapassou o blond, o golden e chegamos a um degradée entre o dourado e o acobreado, o que tira a coloração do estilo original mas deixa nossa cerveja cheia de graça e original.



            Quanto ao aroma, posso dizer que foi a nossa receita produzida com maior qualidade neste quesito. O coentro deixou um traço marcante, seguido pelos 3 lúpulos diferentes usados na fórmula. Acredito que tenha sido o grande destaque dessa nossa batelada, uma cerveja extremamente aromática e agradável ao público em geral, mesmo tendo ingredientes exóticos quando comparamos às cervejas do nosso mercado.

            No mais, o sabor de lúpulo, o malte suave sem retrogosto e o colarinho espesso dão o ar da graça na nossa Marilyn. Após ter tomado mais de 1 litro sozinho, posso dizer com propriedade que a cerveja está refrescante, leve e ao mesmo tempo com riqueza de aromas e sabores. A graduação alcoólica parece ter sido atingida e ter mesmo ficado entre os 4,8 e 5,2% de concentração. Realmente uma cerveja pra se beber em boas degustações, com riqueza de detalhes e também permitindo se ingerir grandes quantidades sem nenhum efeito deletério, pelo contrário, com grande prazer e boas lembranças de que o processo artesanal pode proporcionar além dos padrões disponíveis no mercado mainstream.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Trasfegação para maturação da Marilyn




                E iniciamos a fase de maturação da nossa Marilyn, que parece ter passado um pouco do limite na cor, como podemos ver nas fotos a seguir. Saindo da fase de fermentação com 23 litros, levamos em torno de 20 litros para a maturação que deverá durar 20 dias.Uma das novidades foi a nossa aquisição de um garrafão de 5 litros que serviu para a fermentação do mosto adicional, junto com o balde. Talvez essa tenha sido a nossa batelada com maior índice de aproveitamento do mosto/brassagem e eficiência no processo.

                Já posso dizer que o cheiro dela está espetacular. A variedade de lúpulo utilizada junto com a adição de coentro a receita parece ter dado uma bonita combinação de odores. No quesito cor, como dissemos antes, ela parece ter ficado levemente fora do estilo – que seria um dourado – tendendo a ficar avermelhada também levemente. After all, só precisamos esperar para degustarmos de fato mais este graal para saber se está perfeita.


                Como podemos observar nas fotos, o fermento Ale parece ter feito bem o seu trabalho, circundando todo o balde na parte alta e também junto ao lúpulo no fundo. Achei interessante por essas fotos [mesmo elas não sendo tão vistosas] para o querido leitor ter a noção real do que é a cerveja como uma bebida totalmente orgânica, viva, e não iguais a essas que estamos acostumados a ver nos comerciais, totalmente transfiguradas com aceleradores, conservantes e demais produtos químicos utilizados em suas fórmulas.
                
          Agora só nos resta aguardar o fim dessa penúltima fase, onde todo o tipo de resíduo suspenso no líquido irá decantar no fundo do balde. Nosso freezer já está a 2,5° C para garantir a clarificação da nossa querida Marilyn. Aguardaremos ansiosos até lá!!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Marilyn Blond Ale

             Ontem efetuamos a nova batelada de uma reedição da nossa primeira criação, no estilo blonde ale; Marilyn blonde ale. O Santo Eduardo trouxe inovações à fórmula, após seu longo período de imersão no mundo teórico cervejeiro, adicionando – entre outras coisas – casca de laranja e semente de coentro na receita. Apesar de parecer exótico, são elementos usados em algumas cervejas já famosas, como a belga Hoegaarden.

                                    Organização (?) do material

                Exigimos mais dessa vez do nosso equipamento para extrair uma maior quantidade de litragem produzida. Alcançamos a marca de 23 litros levados a fermentação após alguns ajustes nas quantidades das 1ª e 2ª águas e bem como na quantidade dos maltes utilizados.

                A idéia dessa cerveja é ser leve, combinando com o verão de 46°, bem lupulada e com muito aroma. Neste último quesito, a casca de laranja e o coentro darão um toque especial na hora de degustarmos nossa loiríssima Marilyn.

                                  Marilyn exibindo sua corzinha

                O processo de feitura ocorreu sem maiores percalços, apesar do trabalho maior devido a quantidade e a uma recirculação do mosto feita de forma mais cuidadosa pela Dois Santos. O famoso ‘controle do processo’ tem sido intensificado por nós ao longo da nossa carreira cervejística.

                Agora a nossa Marilyn encontra-se já em fermentação e deverá permanecer neste estágio por mais 8 dias. Após isso, vamos para a fase de maturação e o engarrafamento posterior.

                                     Inoculação do fermento